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Secura, dor na relação, escape de urina e libido

Ao contrário do calorão, a síndrome geniturinária não melhora sozinha. O tratamento é simples e seguro, e pouca gente pede.

5 min de leitura

Com menos estrogênio, a mucosa da vagina, da vulva, da uretra e da bexiga fica mais fina, seca e frágil. O conjunto tem nome: síndrome geniturinária da menopausa. Atinge cerca de metade das mulheres depois da menopausa e pode começar ainda na transição. Ao contrário das ondas de calor, não melhora com o tempo: tende a piorar se não for tratada.

Os sinais

  • Secura, ardor ou coceira na vulva e na vagina.
  • Dor ou sangramento na relação.
  • Vontade urgente de urinar ou ardor ao urinar.
  • Infecção urinária que volta.

O que funciona

  • Hidratante vaginal, usado de 2 a 3 vezes por semana, com ou sem relação. Mantém a umidade da mucosa.
  • Lubrificante na hora da relação, à base de água ou de silicone. Evite os com perfume, efeito quente ou sabor, que irritam.
  • Estrogênio vaginal em dose baixa, em creme, óvulo ou anel. É o tratamento mais eficaz. Quase nada passa para o resto do corpo, por isso pode ser usado por muitas mulheres que não fazem terapia hormonal, e não precisa de progesterona junto. Também reduz as infecções urinárias de repetição. Quem teve câncer de mama decide junto com a oncologista.
  • Fisioterapia pélvica, para dor na relação, escape de urina e sensação de peso na vagina.

O laser vaginal é muito oferecido, mas os estudos que o compararam com um tratamento simulado não mostraram vantagem. As sociedades médicas não recomendam fora de pesquisa.

Escape de urina

O escape ao tossir, rir ou pular é de esforço, e o primeiro tratamento é fortalecer o assoalho pélvico. Nos estudos, mais da metade das mulheres com esse tipo de escape que fizeram os exercícios por 3 meses relatou cura. Com fisioterapeuta, o resultado é melhor. O treino Core e assoalho pélvico é um começo.

Libido

O desejo cai por muitos motivos ao mesmo tempo: sono ruim, cansaço, humor, dor na relação, imagem do corpo, relacionamento e remédios, principalmente antidepressivos. Tratar a dor e o sono costuma ser o primeiro passo.

Quando a falta de desejo incomoda e não tem outra causa, a testosterona em dose feminina, aplicada na pele, tem evidência para mulheres na pós-menopausa. Precisa de prescrição, acompanhamento e dosagem no sangue. Implante de testosterona manipulado, o chamado chip, não é recomendado pelas sociedades médicas.

Fale disso na consulta

Muita mulher não conta, e muita médica não pergunta. Leve escrito: a lista para a consulta tem esses sintomas.

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Fontes

  • Associação Brasileira de Climatério (Sobrac). Guia Sobrac Perimenopausa: a transição menopáusica na prática, 2025.
  • Mary Claire Haver. A nova perimenopausa. Intrínseca, 2026.
  • The North American Menopause Society. The 2020 genitourinary syndrome of menopause position statement. Menopause, 2020.
  • Davis SR et al. Global consensus position statement on the use of testosterone therapy for women. Climacteric, 2019.
  • Dumoulin C et al. Pelvic floor muscle training versus no treatment, or inactive control treatments, for urinary incontinence in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018.
  • Li FG et al. Effect of vaginal laser treatment on genitourinary syndrome of menopause. JAMA, 2021.

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